Segundo um relato publicado pela Comissão de Festas de Nossa Senhora do Calvário, em 2019, existia, antigamente, antes da Segunda Guerra Mundial, durante as festividades em Tregosa, uma tradição de fazer brincadeiras e comentários difamatórios sobre algumas pessoas da freguesia, através dos altifalantes da festa.
O relato conta que, numa noite de sábado para domingo, ao anoitecer, algumas pessoas encontravam-se junto à cabine de som, onde continuavam essas brincadeiras. Entretanto, as pessoas que se dirigiam para o Calvário para participar na festa, ao percorrerem o caminho, foram surpreendidas por um forte e inesperado trovão.
O que tornou o episódio particularmente invulgar foi o facto de, segundo o testemunho, a noite estar completamente estrelada, sem nuvens e sem qualquer sinal de chuva. Ainda assim, ouviu-se aquele estrondo, que pareceu cair do céu. Foi um fenómeno isolado e fora do comum. Depois daquele trovão, não se ouviu mais nenhum e a noite permaneceu sem chuva.
O acontecimento causou grande apreensão entre as pessoas, que, assustadas, decidiram regressar às suas casas. E nessa noite já não se realizou a festa.
Segundo a memória transmitida nesse relato, o episódio terá marcado de tal forma a população que, a partir desse momento, deixaram de se fazer aquelas brincadeiras e comentários através dos altifalantes da festa.
Ficou, assim, na memória da população de Tregosa, o estranho episódio de um trovão que surgiu numa noite aparentemente calma, estrelada e sem chuva, tornando-se uma das curiosidades associadas à história das Festas em Honra de Nossa Senhora do Calvário.
O relato identifica António Picaráto como testemunha do acontecimento, ainda viva à data da publicação, e menciona também António Arrobas, conhecido pela sua alcunha, como uma das pessoas que costumava participar nessas brincadeiras.