Conhecido por todos como Ti Gaspar do Velho, foi uma figura marcante da freguesia de Tregosa, ligada a um dos antigos ofícios tradicionais da nossa terra.
Iniciou-se nesta arte aos 11 anos de idade, aprendendo o ofício com o seu pai. O trabalho de pauseiro já fazia parte da sua família, tendo sido também exercido pelo seu avô. Ao longo da vida, o Ti Gaspar dedicou-se à preparação artesanal de paus para socos e chancas, trabalhando a madeira com o saber e a experiência que adquiriu desde muito jovem.
Apesar da sua ligação à fabricação deste calçado tradicional, não se considerava tamanqueiro, pois não fazia o soco completo nem procedia ao seu entacho. O seu trabalho consistia na preparação dos paus de amieiro que serviam de base para os socos e as chancas. Por isso, definia-se como pauseiro.
Dedicou grande parte da sua vida a este trabalho artesanal, tornando-se no último pauseiro de Tregosa e preservando até ao fim um saber tradicional que, durante gerações, fez parte da história e do quotidiano da freguesia.
O Ti Gaspar do Velho, que faleceu em 1999, deixou o testemunho de um modo de vida e de um saber tradicional hoje praticamente desaparecido. A sua memória permanece ligada à história de Tregosa e à valorização dos antigos ofícios que fazem parte da identidade e do património cultural da nossa freguesia.
Fonte: Manuel Delfim Pereira, Memórias do Nosso Povo – Para uma Etnografia do Vale do Neiva – 2, Barroselas, 18 de dezembro de 2008.
